Contos

domingo, 24 de junho de 2012
A METÁFORA A METÁFORA ERA UMA VEZ Maria, que vivia ensimesmada nos livros que lia. Os livros de Maria tinham capas duras como corações de pedra. Mas havia as traças. E elas acabaram destruindo, ao longo do tempo, vagarosamente, as capas duras dos livros que Maria lia. Os buracos foram aparecendo um a um. O ar foi entrando. Também umidade, poeira, farelos de pão, substâncias de toda sorte. Enfim, tudo o que se enfia por entre páginas de livros, inclusive ideias e sustos.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
A ESPERA A ESPERA Porto Alegre, Aeroporto Salgado Filho, 14 horas do dia 12 de junho de 2007. O painel confirmava a chegada do voo 2794 para daí a menos de duas horas. Seria o fim da espera de quase três anos para saber quem era o homem que me aparecera na caixa de entrada do outlook express naquela manhã de setembro, me chamando de "senhora professora". Metódica e organizada, ainda tenho a mensagem que foi escrita às 3h47mim do dia 03.09.2004. Alguém que estava lendo o que eu escrevi, e isso em plena madrugada.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Na cama de outro Na cama de outro Traí uma relação de nove anos, pesava-me a razão. Contudo não me traí, rebatia a consciência. Adultério é aquilo que acontece quando nos recusamos a ouvir o que o corpo tem para dizer. Adultério, ad alterum torum, palavra que vem do latim e significa na cama de outro. Na cama de outro apunhalei pelas costas o que eu era, bicho morto, renasci.
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