Contos

terça-feira, 18 de dezembro de 2012
O DIÁRIO DE FRANCISCO O DIÁRIO DE FRANCISCO O Diário de Francisco consiste no produto final que acompanha a dissertação intitulada MEMÓRIA SOCIAL EM CARTAS DE AMOR: SENSIBILIDADES E SOCIABILIDADES NA PORTO ALEGRE DA DÉCADA DE 1920 apresentada ao Programa de Pós-graduação em Memória Social e Bens Culturais do Centro Universitário La Salle como requisito para obtenção do Grau de Mestre por Maristela Bleggi Tomasini. O conto é uma ficção, mas foi construído a partir de referências que constam em cartas de amor escritas entre 1922 e 1926.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A VIDA PODE ESPERAR A VIDA PODE ESPERAR Empilhando papéis e anotando coisas que ficaram para o dia seguinte, Marcos Silas sentiu que não tinha fome. Pediu água gelada que tomou devagar. Olhava a rua, pessoas indo e vindo, casais de namorados. Anoitecia devagar. Final de tarde luminoso, sem aquele calor sufocante que castigava. O comércio continuaria aberto até mais tarde. Semana de compras, início de mês. Sorriu ao ver a fila junto à carrocinha de pipocas. Gente com fome, que comia qualquer coisa. Alguém chamou sua atenção.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Lote Lote Lote era judia. E assim será lembrada, embora não parecesse observante dos ritos e embora, brincando, me dissesse baixinho e sorrindo, numa tarde de sábado, que era difícil resistir a uma fatia de presunto, porque presunto, afinal, já nem era mais porco... Ainda assim, nunca soube que ela houvesse violado esta norma. Ela nasceu na Alemanha em 1919 e teria permanecido por lá, não fosse a guerra. ― Não entendo, não entendo... Ter de fugir? ― dizia ela.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
MARCOS SILAS, O NADA MARCOS SILAS, O NADA Outro... — pensou. Alguém realmente importante, seguro de si, alguém que pudesse ser olhado com inveja, alguém que detivesse alguma espécie de poder, que fosse influente, rico, realizado, que pudesse decidir, e não fingir que decidia, como um mero porta-voz dos regulamentos do banco. Ter uma mulher bonita. Fazer aquelas coisas que apareciam nas revistas Raulzinho... Deixou-se divagar então. Sonhava acordado e sorria sozinho da ousadia de suas façanhas, até que o telefone tocou e...
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Fragmentos... Fragmentos... Dezembro, dia 2. Desprendimento. Calor. Estranho tanto esse meu desprendimento. Não é como se fosse — finalmente — o fim, mas percebo um adeus que me acena de algum lugar impreciso, produto desse desgaste que vai corroendo, todos os dias, parte do chão firme onde eu pensava estar contigo. São pequenas frações que se desprendem. Quase que não se sente a falta, porque é como a supressão de um reflexo, e não propriamente de uma parte certa das coisas sentidas.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
O DIA DA MORTE DE REBECA O DIA DA MORTE DE REBECA Rebeca ia morrer. Ela ainda não sabia, mas não tinha mais que algumas horas de vida. Naquele instante pensava apenas em pegar suas coisas e deixar o apartamento de Klaus o mais rápido possível, antes que ele chegasse e a encontrasse naquele estado. Rebeca sofria. Era orgulhosa, porém, e silenciava.Sua fuga era o diário, onde consumia páginas e mais paginas com a letra regular, entremeando o texto com desenhos. Sentia a presença da outra como um espectro, reinando do exílio.
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