Crônica

quinta-feira, 18 de outubro de 2012
DA MINHA ESCRITA EM SI DA MINHA ESCRITA EM SI Faço isso por pura provocação. Porque tenho andado atentada como nunca antes. Deve ser resultado dos ferros que me atravessaram as entranhas, dos anestésicos gerais, dos calmantes, das coisas invasivas que me entraram pelo corpo, como que buscando uma alma inexistente, abstrata, abstraída e fugidia como sorvete em dia de vento. Hoje meu percurso é solitário. Sem qualquer outro tema além da escrita. Porque se trata de um exercício de purificação.
domingo, 23 de setembro de 2012
FOTOS, CÂMERAS, ARTISTAS FOTOS, CÂMERAS, ARTISTAS O melhor frango ensopado que comi em minha vida foi feito em um canteiro de obras, dentro de uma velha, amassada, e nada higiênica panela de pressão sem tampa, sobre o fogo de pedaços de pontaletes de eucalipto em desuso, e apoiada sobre dois blocos de cimento. Foi temperado inteiro, com sal, pimenta e cebola, e avermelhado com colorau, em meio à água retirada de uma caçamba. O “chef”? Aroldo, o pedreiro. Isso foi nos anos 70, e até hoje é inesquecível.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
DELÍCIAS DA FOTOGRAFIA DELÍCIAS DA FOTOGRAFIA Desde que descobri a fotografia, tornei-me viciada em fazer uso de câmeras. Comecei usando o celular que tenho até hoje, e a partir dele fui aprendendo a lidar com imagens. Hoje, além do celular, possuo outras três câmeras, nada de muito sofisticado, mas cada uma com a sua própria personalidade. Como sou compulsiva também em relação a fotos, acabei por me deixar encantar pela prática e, sempre que dá, ando por aí fotografando as coisas extraordinárias que descubro em meu cotidiano.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Províncias & Metrópoles Províncias & Metrópoles O migrante às avessas está se preparando para reconhecer a si mesmo. Vai mudar de cidade. Sofrerá o doloroso processo de internalizar uma nova paisagem, e terá de ser hermeneuta de um simbolismo com o qual apenas sonhara de passagem. Espaços reduzidos nos tornam muito mais visíveis aos outros, como nos fazem também muito mais visíveis a nós mesmos. A província é assim, toda feita de casas de vidro, de transparências, de percepções marcadas pelo que é quase imperceptível.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Descobrindo a velhice Descobrindo a velhice “Réplica ao belo e inspirado texto “Inventando a Velhice”, de Maristela Bleggi Tomasini” - Descobri que estava velho em um único episódio. “Corri” para chegar a um ônibus que estava por sair do ponto, quando percebi que, de fato, não corria. Estivesse andando, e a velocidade seria exatamente a mesma, talvez maior. O corpo não correspondia ao impulso imaginado. A cena foi ridícula, mas suficiente para eu perceber que estava diante de uma limitação posta pelo tempo.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
ROQUE ROQUE Sempre duvidei da razão e das pessoas que conseguem viver de forma equilibrada. Eu acho que até consigo afetar certa normalidade e manter-me dentro das regras, inclusive gramaticais, muito embora deslize pelo português eventualmente, isso quando não troco letras, nomes de coisas, pessoas, autores. É embaraçoso, mas preciso me esforçar para parecer uma pessoa centrada e assertiva, sem muito sucesso, contudo. No fundo, faço de conta que sou normal; acho que os outros fazem de conta que acreditam!
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