Crônica

domingo, 15 de setembro de 2019
Modo viagem Modo viagem Recentemente voltei de uma viagem com amigas.Além de aproveitar cada momento, o assunto principal foi saber se teríamos algo a dizer sobre viagens, quando já estamos, todas três, naquela idade na qual, delicadamente, se referem a nós como meninas. Foi mesmo divertido, quando o colaborador da companhia aérea, — um bonitão, aliás —, olhou para nós e, depois de conferir os check-ins, deu um sorriso irresistível e saiu com essa:
sábado, 13 de abril de 2019
A vida nos anos 50 quando eu era feliz e não sabia A vida nos anos 50 quando eu era feliz e não sabia Muitos dos contratos de bairro entre o comerciante e o cliente começavam pela palavra de honra e um aperto de mão. As mãos tinham a sua importância nos anos 50. Não só porque se faziam muitas coisas com as mãos; também porque as pessoas que faziam coisas com as mãos ainda não tinham começado a ser desrespeitadas e substituídas por máquinas. Não existiam retiros para idosos. Nem creches.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Coisas que só acontecem com bibliófilos Coisas que só acontecem com bibliófilos C’est la vie! Chegou o dia em que o desapego se impôs. Tive de me desfazer da metade de minha biblioteca. Imposição cruel. Sacrifiquei boa parte da literatura, todas as enciclopédias ― a literária, inclusive, com seus mais de vinte volumes ―, e todos os livros dedicados a temas, digamos assim, mais leves. Foram diversos carregamentos de pesadas caixas que vi sendo levadas para longe de mim, deixando-me desolada. Em compensação, ― porque parece que sempre é preciso buscar desesperadamente recompensas aos nossos sacrifícios ―, a renúncia me impôs uma revisão geral de tudo.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
A morte do homem moderno A morte do homem moderno É em vão que se busca o homem moderno. Ele morreu ao final do último século.De pagão na Antiguidade a obediente filho de Deus no Medievo, ele deu ouvidos um dia ao discurso de Descartes. Aos poucos, descobriu a razão, e assimilou um método que mudaria a face do mundo. Fez-se revolucionário ao depois, porque desconfiou do poder, desejou a liberdade e a igualdade.Modernizou-se, enfim. Mudou a face do mundo e a sua própria. A luz divina substituiu-se pela luz da razão e pela força da vontade.
sábado, 14 de abril de 2018
O diagnóstico de Cervantes O diagnóstico de Cervantes O diagnóstico de Cervantes “Encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamentos, como pendências, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas, e disparates impossíveis; e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo.”
sexta-feira, 16 de março de 2018
Dai à história o que é da história e à memória o que ela escolher Dai à história o que é da história e à memória o que ela escolher Por que se importar com o cotidiano de gente comum que vive a cidade? Uma cidade. Qualquer cidade. O que fazer dessas memórias de um dia a dia que não é história? Fragmentos da vida de gente simples, humilde, que ocupa calçadas com cadeiras e conversa enquanto a Avenida Paulista dá passagem às massas? Que importa?Muito talvez.
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