Crônica

terça-feira, 13 de junho de 2017
Dona Maria Dona Maria Faz tempo que não escrevo sobre coisas minhas. Escrevo muito, é verdade, mas quase sempre sobre assuntos que me tangenciam apenas, sem grandes reflexos interiores. Esse processo ― que costuma travestir-se de objetividade ― obriga-me a certo distanciamento do objeto, esta fórmula que vicia o olhar, de sorte que, passado algum tempo, somem-se as minhas crônicas, os meus contos, os meus dizeres que vêm de dentro. Não há tempo nem espaço para contemplar histórias, pensar o mundo pelo mundo. Parece que só se escreve quando não se tem nada a dizer, um nada cheio de tudo, porém, que parece certo, exato, que se refira a coisas que se deixem medir e pesar. Não há tempo a perder tentando ver o outro.
domingo, 30 de abril de 2017
Uma Kombi de encher olhos Uma Kombi de encher olhos Essa aconteceu com um amigo meu que morou em Paris muitos anos atrás, e agora acabou de voltar pra cidade-luz. A história se passou nos anos 80, durante a primeira temporada dele na capital francesa. Seu pai, riponga na década anterior, era o feliz proprietário de uma Kombi azul por fora e, se bem me lembro do relato, laranja por dentro. Qualquer coisa de impensável nos caretas dias de hoje, mas perfeitamente normal pra psicodélica geração Woodstock.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
A vida nos anos 50; eu era feliz e não sabia! A vida nos anos 50; eu era feliz e não sabia! Muitos dos contratos de bairro entre o comerciante e o cliente começavam pela palavra de honra e um aperto de mão. As mãos tinham a sua importância nos anos 50. Não só porque se faziam muitas coisas com as mãos; também porque as pessoas que faziam coisas com as mãos ainda não tinham começado a ser desrespeitadas e substituídas por máquinas. Não existiam lares de terceira idade. Nem creches. Não falo desse tempo como de um tempo ideal, meia dúzia de coisas dos anos 50 necessitavam dessa introdução à modernidade que se chama igualdade dos direitos civis. Andamos um longo caminho. E agora, que perdemos tantas coisas, talvez fosse bom recuperar algumas...
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
O Cachorro e o Dono O Cachorro e o Dono Volta e meia recebo mensagens de gente que recém adquiriu um amigo cão. Normalmente quem me escreve o faz porque adquiriu um lhasa apso e está enfrentando o processo de adaptação. Cheiros, xixis, cocôs, coisas roídas. Enfim, é como receber um hóspede que, além de não falar a nossa língua, desconhece nossos hábitos e não acha que exista absolutamente nada de errado em fazer xixi ou coco, os dois até, bem no meio do tapete novinho da sala. E quando, à beira da histeria, reclamamos disso com nosso hóspede, este último nos olha com cara de paisagem, sem atinar com a razão de tanto barulho, e parece até nos dizer: — Afinal, é só um cocô ou um xixi, não é? Todo mundo faz isso! Você também não faz?
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Henrique é o culpado? Henrique é o culpado? Em tempos de tantos tons de cinza, será que homens e mulheres sabem quem foi Henrique? Foi ele, Henrique II, o primeiro homem do planeta a baixar uma calcinha. Porque Henrique II era o rei da França, marido de Catarina de Médici. Logo, coube a ele o privilégio de executar o primeiro abaixamento de calcinha da História da Humanidade. Hoje, efígies na Basílica de Saint-Denis, Catarina de Médici e Henrique II parecem eternos namorados...
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Sampa como opção; um outro olha sobre  a capital de São Paulo! Sampa como opção; um outro olha sobre a capital de São Paulo! São Paulo: a melhor opção para quem não gosta de Natal, Ano Novo e Carnaval. As pessoas gostam de generalizar a partir das experiências de suas próprias vidas. Como é difícil contornar os efeitos dos espíritos populares do Natal, Ano Novo e Carnaval. O que dizer, então, os de declarar, no melhor estilo Raul Seixas, que acho tudo isso um saco? Aprendi a não mais dizer, e vou contornando, apenas. Algum ranço intelectual? Não. Não gostava desses acontecimentos nem mesmo quando criança.
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