Euclides da Cunha terra de ilustres

sábado, 2 de novembro de 2019

Finados, um dia para reflexões, viajei no tempo trazendo à memória, pessoas e fatos que me acompanharão eternamente. Mãe, pai, o querido irmão Humberto, que partiu aos 23 anos e meu tio, quase um pai, José Mathias de Almeida Neto, meu referencial, meu amigo meu ídolo, ao ponto de ter, aos 14 anos, fugido de casa e de carona em caminhões, desembarcando em Vitória para encontrar o “Zequinha”- era assim que eu o chamava- àquela altura, já promotor de Justiça em uma comarca do interior do Espírito Santo.

Euclides da Cunha terra de ilustres


A aventura durou pouco. Uma semana depois, meu pai apareceu e me trouxe de volta a Euclides da Cunha. Dez anos depois, desembarquei novamente em Vitória, onde vivi os 25 anos mais importantes da minha vida e acompanhei a trajetória brilhante do tio Zequinha, que morreu aos 64 anos como desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, despachando no mesmo edifício que hoje ostenta o nome dele: Fórum Criminal Desembargador José e Mathias de Almeida Neto.

E o Zequinha, até a morte de minha mãe, em 1971, vinha frequentemente a Euclides da Cunha, trazendo uma mala de presentes para amigos e familiares, além de dezenas de caixas de Chocolates Garoto, uma marca do Espírito Santo. E cultivava muitas amizades fora círculo familiar. Apotâmio Batista, Zeca Dantas, Zé Aras e Nelson Bastos entre tantos outros.

Com Nelson Bastos, trocava presentes, em todas as visitas. Nelson lhe dava sempre uma garrafa de boa cachaça e Zequinha, um presente da capital do Espírito Santo.

Para quem não conhece, Euclides da Cunha é uma cidade de 60 mil habitantes, segundo estimativa de 2019, localizada no semiárido baiano, a 311km de Salvador e é berço de ilustres personalidades que ocuparam e ocupam importantes espaços na vida nacional e, infelizmente, hoje estão esquecidos ou sequer, chegaram a ser conhecido pelos habitantes locais.

Atualmente desembargador aposentado, Aloísio Batista chegou a presidente do TJ da Bahia e interinamente, por vacância dos titulares, a governador do Estado. No passado, Ramonaval Augusto Costa, nascido no então Cumbe do Major, veio a ser um dos mais brilhantes economistas do País e catedrático da USP.   Durval Ferreira de Abreu que, por muitos anos, serviu no alto comissariado da OEA em Washington. Na mesma linhagem, o hoje fazendeiro na Chapada Diamantina, Elieze Bispo dos Santos, também é homem de brilhante carreira jurídica, tendo atuado, inclusive como desembargador do TRE baiano.

Ainda na ativa, podemos falar no advogado e ex-deputado Roque Aras, que embora não tenha nascido na cidade, tem fortes relações com a região, por conta do seu pai, José Aras, que viveu por muitos anos na cidade, foi o inspirador do nome Euclides da Cunha e autor da letra do hino oficial do município. José Aras, é avô do PGR Antônio Augusto Brandão de Aras.

Sebastião Alves Ferreira dos Santos  dos Santos foi o mais brilhante cidadão euclidense de sua era! - Ele nasceu na Rua da Igreja ao lado da casa de Antônio André. Filho do comerciante Nezinho de Hermógenes e da costureira Edite Alves, Sebastião teve uma carreira meteórica. Concluiu o curso ginasial no Educandário Oliveira Brito, o curso de Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, onde depois assumiu uma cadeira como professor titular, e fez o doutorado em finanças na Universidade do Texas. Morreu precocemente aos 44 anos de idade, ainda como diretor financeiro da Eletropaulo.

 

No centro da foto recente, Celso Mathias de Almeida, geriatra que aos 92 anos, ainda atende no seu consultório em Natal- RGN, onde foi professor da Universidade Federal e paraninfo de várias turmas de formandos em Medicina. Já o médico José Silva Dantas Filho, o Dantinhas, ao Lado do Irmão, Luiz Carlos Nascimento Dantas, formou-se em Medicina pela Universidade Federal da Bahia e ambos se radicaram em São Paulo. Dantinhas em Itapetininga e Luiz na capital paulista. Dantinhas faleceu em Euclides da Cunha durante uma viagem que costumeiramente fazia à sua terra natal e hoje dá nome a um importante hospital de Itapetininga, merecido reconhecimento pelo brilhante profissional de saúde e cidadão que foi. Luiz, em plena atividade, é reconhecido anestesiologista disputado pelos mais importantes cirurgiões dos melhores hospitais de São Paulo, entre  eles, o Sírio Libanês. E mais que isso, é reconhecido como cidadão extremamente prestativo especialmente com euclidenses que bateram â sua porta em busca de orientação médica.

E vocês lembram do Nelson Bastos, o amigo do Des. José Mathias de Almeida Neto citado no início dessa narrativa? Nelson é avô do jovem juiz de direito Fábio Alexsandro da Costa Bastos, atual assessor especial da 2ª vice-presidência do Tribunal de Justiça da Bahia. Fábio também é neto, pelo lado materno, do saudoso líder político e comerciante, Custódio Sabino da Costa, contemporâneo e amigo irmão de José Aras.

 

Fábio já está incluso nessa lista de euclidenses ilustres, por conta de um currículo exemplar: colou grau em Direito pela UFBA em fevereiro de 1997 aos 24 anos de idade. No mesmo mês recebeu a carteira da OAB e, enquanto exercia a advocacia, debruçou-se sobre os livros. Na Escola de Magistrados da Bahia (EMAB) fez inicialmente o Curso de Preparação para a Carreira Jurídica seguido de vários outros que lhe permitiram ser aprovado com louvor no concurso que o fez Juiz de Direito em 16/04/1999, menos de dois após a colação de grau e aos 27 anos de idade. Juiz da 19ª Vara Cível de Salvador. Foi também, por dois biênios, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e o corregedor Regional Eleitoral da corte. É casado com a juíza Bárbara Correia de Araújo Bastos e, pelo respeito e trânsito que goza nos meios jurídicos da Bahia, é uma figura da qual os euclidenses e até os baianos podem esperar muito!

 

 

 

 


Autor: Celso Mathias
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