Joaquim Matias o eterno delegado

domingo, 15 de setembro de 2019

Estudioso das origens de centenas de famílias da região de Euclides da Cunha, meu amigo de infância e colega de traquinagens no final dos anos 60 e início dois anos 70 em Salvador, quando dividimos por uma dezena de vezes, quartos de pensão ou quitinetes no centro da cidade, hoje, auditor fiscal aposentado e um apaixonado pela leitura, dono de um biblioteca pessoal que ultrapassa os 20 mil volumes, José Dionísio Nóbrega, que nós tratávamos carinhosamente de Nizinho, me visitou na semana passada e trouxe essa pérola de texto que fala do meu saudoso avô, Joaquim Matias. Saiba quem foi esse grande homem!

Joaquim Matias o eterno delegado

 

                                                                       Joaquim Matias de Almeida e a mulher, Amélia


JOAQUIM MATHIAS DE ALMEIDA

Não temos prova, mas cremos que o Almeida de Joaquim Matias seja o mesmo do sogro de Manoel Batista de Macedo, da Lagoa do Barro, que se chamava José Martins de Almeida, cujo filho primogênito Francisco Martins de Almeida (irmão da mãe de Lili de Apromiano, da mãe de Neluzinho, da mãe de Mariinha de Dedé Paranhos e de muitos outros) teve como empregado na sua grande loja comercial da “Rua da Igreja” o ainda jovem, menor idade, Joaquim Matias de Almeida.

Antônio Curato (muitos ainda dizem Corato), pai da sua mãe Rosa Maria (esposa de José Matias de Almeida), exerceu por longo tempo a função de carteiro ou mensageiro entre Monte Santo e a Freguesia de Massacará então pastoreada pelo Cura ou pároco Vicente Sabino dos Santos, muitos anos depois primeiro vigário de Cumbe.

Quando Lampião entrou em Cumbe em 15 de dezembro de 1928, o filho do casal Joaquim Matias e Dona Amélia Pinheiro de Andrade (depois Almeida), José Mathias de Almeida Neto, futuro Desembargador do Estado do Espirito Santo que, posteriormente, veio a dar nome ao Fórum Criminal Desembargador José Mathias de Almeida Neto, na capital do Espírito Santo, contava 2 meses e 21 dias de nascido, ou seja, veio ao mundo no dia 25 de setembro de 1928, num sábado, às 10:00 da noite, no Torrão do Cumbe.

Segundo Celso de Jaime Amorim, neto de Joaquim Matias, nasceram outros filhos: José Delço de Almeida, Railda Matias de Andrade (depois Lopes), Mariá Matias de Almeida (depois Amorim) e Raimunda Matias de Almeida, apelido Dazinha, falecida um pouco antes ou depois dos 20 anos.

A “Rua da Igreja” de Cumbe, também conhecida por “Praça da Matriz” já foi palco de muitos fatos históricos. Do mais chocante de todos, os cumbenses (hoje euclidenses) já quase não se lembram. Trata-se do “Fogo do Calêncio” ocorrido em 1917 entre Joaquim Matias e João Calêncio Vilanova. O combate durou várias horas, tendo Joaquim Matias se comportado com bravura. O cheiro da pólvora tomava toda a Praça da Matriz. Dizia Ioiô da Professora que um dos homens do Calêncio, já no final da batalha, recebeu um tiro fatal quando passava bem próximo da casa de rancho de Manoel Batista de Macedo, vizinha à residência onde mais tarde morará o seu filho Benjamim Batista de Macedo (pai de Rozendo e Benjamim, acadêmicos de ALAS). Mas só caiu morto poucos metros adiante, bem em frente da casa onde residirá a família de Nelson Bastos. Foi com o “Fogo do Calêncio” que Joaquim Matias entrou na história de Cumbe como um herói.

Quando Lampião mandou Manoel do Araçá entregar o tradicional “bilhete” a Joaquim Matias exigindo-lhe educadamente dois contos de réis e voltou de mãos vazias, ninguém de Cumbe estranhou. Manoel do Araçá trouxe a resposta de Joaquim Matias para Lampião: “Não vou mandar dinheiro não/Faço questão: eu mesmo levo/Eu quero conhecer o Lampião! ”.

Muitos anos depois Joaquim Matias torna-se um dos mais respeitáveis Delegados de Polícia do Cumbe do Major Antonino.

 

                               


                                                                                                                                                             Casarão centenário da

                                                                                                                                                           família na Rua de Cima


Autor: Dionísio Nóbrega/Celso Mathias
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