Verde varietal e outras coisinhas sobre vinho

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O vinho é uma das bebidas mais antigas do mundo e também uma das que mais se diversificou com o passar do tempo. As características geográficas e físicas da região de cultivo, o grande número das variedades de uvas e as diferentes técnicas de produção proporcionam a cada criação uma infinita gama de possibilidades, tornando cada exemplar uma bebida singular e especial.

Verde varietal e outras coisinhas sobre vinho

Se você gosta de tomar um bom vinho, provavelmente já se deparou com termos como varietal, corte, assemblage e blend. Mas não precisa se preocupar caso não saiba a diferença entre cada uma dessas expressões, afinal, o mundo dos vinhos é mesmo cheio de nomes e determinações, e é comum sermos pegos de surpresa por algumas delas.

Descubra o que significa varietal, corte, assemblage e blend:

Varietal

Recebe esse nome porque, ao longo do seu processo de produção, é utilizado somente uma casta de uva para obter o produto final.

Apesar disso, um vinho varietal não precisa ter 100% da sua composição feita por só um tipo de uva. Estranho, não é? Mas a quantidade necessária é determinada de acordo com o país ou estado onde a vinícola está presente. Por exemplo, no Brasil e no Chile, a porcentagem necessária para um vinho ser considerado varietal é de 75% da mesma casta de uva, enquanto em grande parte dos países europeus, essa taxa deve ser de no mínimo de 85%.

Exemplo: quando você está em uma adega escolhendo um rótulo e se depara com merlot escrito na frente do rótulo, ou cabernet sauvignon, ou um chardonnay.... Esse é um varietal!

Mas, por que um enólogo decide fazer um vinho predominantemente de uma única uva? Saiba que essa é uma prática muito comum em todo o Novo Mundo, pois é uma estratégia de marketing! Se popularizou o "saber o que eu estou bebendo" ao invés do "local de onde eu estou bebendo". Lembrando que no Velho Mundo o conceito é: se você conhece meu vinho,

Corte, assemblage e blend

Esses termos servem para determinar aqueles rótulos que utilizam diferentes castas de uvas na sua produção. Corte é o nome que recebem no Brasil, já assemblage é o termo francês e blend em inglês. O maior objetivo de um vinho de corte/assemblage/blend é combinar o melhor dos aromas e sabores de diferentes tipos de uva em uma única bebida, criando um sabor único e diferenciado no mercado. Esse tipo de vinho é, normalmente, produzido por enólogos que possuem um maior conhecimento e experiência de produção, pois o processo é um pouco mais complicado do que aquele que dá origem aos vinhos varietais.

O que pode-se conseguir através de um corte/assemblage/blend:

- O frescor de uma uva alivia o poder da outra uva utilizada;

- A leveza de uma uva reduz a concentração da outra;

- A tanicidade de uma uva pode aliviar a da outra;

- Um aroma inexistente em uma uva, pode aumentar o espectro de aromas do vinho final.

A mistura de todas essas variáveis que você leu acima, poderá adicionar complexidade ao vinho, fazendo com que o enólogo ofereça um vinho diferenciado ao seu consumidor. Criar a mistura perfeita também depende das características do ano e da expressão de cada uva. As possibilidades de combinações que resultam em uma mistura de qualidade são infinitas.

Curiosidade: Um vinho de corte pode ser elaborado somente com duas uvas diferentes ou até mesmo com 14!

Se o corte aprimora o vinho, é possível afirmar que os vinhos de corte são melhores que os varietais? A resposta seria: não necessariamente, pois existem vinhos maravilhosos tanto de corte quanto varietais! O que cabe ao enófilo é procurar degustar cada um deles e decidir o melhor para o seu paladar :)

 

O vinho verde?

Quando se fala em vinho verde, não nos referimos a um vinho de coloração verde. Na verdade, o vinho verde pode ser branco, rosado, tinto e até um espumante. Mas por que esse nome então?

A nomenclatura do vinho, está relacionada ao local onde o vinho é produzido, em uma região localizada no noroeste de Portugal – Região Demarcada de Vinhos Verdes – entre as margens do Rio Minho, ao norte, na divisa com terras espanholas, até Rio Douro, no sul do país. A especificidade geográfica da localidade é tão importante que nenhum outro lugar do mundo é capaz de produzir vinhos verdes.

Existe uma outra versão, que diz que o nome Verde é devido ao estilo fresco e leve do vinho, em uma alusão ao seu caráter jovem. E existe, também, uma terceira versão, segundo a qual o elevado teor de acidez desse vinho faz ele parecer ter sido produzido a partir de uvas colhidas antes da hora, ou seja, com uvas verdes.

Características da região onde ele é produzido:

Embora seja situada na região de clima mediterrâneo, a influência marítima do Oceano Atlântico deixa o clima ameno na região. Esse tipo de vinho é cultivado em extensas planícies cercadas por rios. O solo úmido de granito, com pH baixo e alta fertilização natural é essencial para manter as tão peculiares características do vinho verde.

Processo de maturação das uvas

O processo para produção do vinho verde inclui um cálculo preciso para colheita das vinhas no momento perfeito, quando elas estão com nível equilibrado de açúcares, taninos e ácidos.

São várias as uvas utilizadas na fabricação do Vinho Verde, as mais comuns encontradas na fabricação são: Alvarinho (ou Albariño); Arinto; Avesso; Azal; Batoca; Loureiro; Trajadura. Todas brancas. Porém algumas tintas também são permitidas para se chegar no vinho rosé.

Características do vinho

As variações mais comuns da bebida são refrescantes e ideais para consumo em épocas mais quentes do ano, além de conter notas florais e frutadas. Como tem por objetivo final ser um vinho refrescante, não tem passagem por barrica de carvalho.

As uvas ‘verdes’, com elevado teor de acidez, baixo teor alcoólico e índice de açúcar, e com sabor muito mais leve e fresco, se contrapõe às uvas maduras, mais envelhecidas. Além disso, esse vinho deve ser consumido em, no máximo, dois ou três anos, sempre gelado, com temperatura variando entre 8ºC e 12ºC.

 


Autor: Byagn/Agpress
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