O Mundo cão da política euclidense

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Euclides da Cunha é um município baiano situado a 320km de Salvador, no coração no semiárido nordeste do estado. É a 38ª economia da Bahia e um polo de desenvolvimento da região com acesso a cursos universitários, IFBA, bancos, órgãos públicos estaduais e federais como DETRAN, Receita Federal e INSS entre outros. A política regional é dominada há quase 30 anos pelo deputado federal José Nunes Soares e sua família. Implacável na defesa dos seus interesses políticos, o deputado não dá trégua aos seus adversários políticos.

O Mundo cão da política euclidense

Eleito prefeito de Euclides da Cunha no quatriênio 1989/92, José Nunes marcou o município com muitas obras e uma administração com estratégias mais modernas do que a dos seus antecessores. Em consequência dessa administração, elegeu-se por quatro vezes consecutivas deputado estadual e elegeu os seus sucessores na Prefeitura, mantendo sobre todos eles, uma marcante ascendência.

Nascido nas hostes do PFL sob a égide do então governador Antônio Carlos Magalhães, o deputado estadual natural de Belém do São Francisco migrou para o grupo adversário ligado ao PT, deixando profundas cicatrizes no grupo ao qual pertencia. Ao tempo em que se profissionalizava na política, José Nunes ia abrindo mão das suas atividades empresariais e dava passos mais largos disputando com sucesso, uma vaga na Câmara dos Deputados, para a qual foi reeleito em 2014.

Mas nem só as vitórias marcaram a trajetória do deputado. Em 2004, o seu candidato, Luiz Agres de Carvalho foi derrotado pela bancária Rosângela Lemos Maia de Abreu que sobreviveu aos quatro anos da sua administração, sobre fogo cerrado do grupo capitaneado pelo deputado.

 

Na sequência, como parecia programado, o deputado emplacou, pelo seu novo partido, o PSD, a candidatura de sua mulher Fátima Nunes que se elegeu com folga, sendo reeleita em 2012, dessa vez enfrentando um jovem engenheiro que dava os primeiros passos na política local. Luciano Pinheiro perdeu as eleições de 2012 e no dia seguinte estava na rua trabalhando a sua candidatura para 2016. Pela primeira vez em mais de 20 anos, uma nova liderança surgia, a despeito do deputado que tentava manter a todo custo o poder em torno de sua família. Nesse período, José Nunes não permitiu que florescesse uma liderança sequer na região.

Finalmente, nas eleições de 2016, o jovem Luciano Pinheiro com 16,735 votos, 51,90% do eleitorado, venceu o candidato do deputado, Vaval Damasceno, que recebeu 15,510 votos, 48,10% do eleitorado. Embora apertada, a vitória de Luciano Pinheiro é o mais importante fato político da região e até da Bahia nos últimos 20 anos. Aliado de ACM Neto, Luciano derrotou, além do deputado, a prefeita Fátima Nunes, o governador Rui Costa e o senador Otto Alencar, muito ligado à cidade, por ser casado com uma cidadã euclidense.

Logo após as eleições de 2016, o que mais se comentava na cidade era a possível “rosificação” do prefeito eleito. Esse neologismo refere-se ao processo imposto à então prefeita Rosângela, a quem o deputado teria mantido durante os quatro anos de mandato, sob fogo intenso, garantindo assim, o seu retorno ao poder, sem medir um milímetro das consequências sobre o dia a dia dos cidadãos e cidadãs que vivem no município.

 

Decorrido um ano de mandato com erros e acertos, o atual prefeito de Euclides da Cunha, fecha o ano de 2017 cortando gastos, ajustando o quadro administrativo e apresentando projetos para dezenas de obras em 2018. Aprovado pela Câmara de Vereadores uma operação financeira de R$15 milhões através da Caixa Econômica Federal, órgão governamental que irá gerir a aplicação dos recursos, nas últimas horas de 2017, os sete vereadores da tropa de choque do deputado, ingressa em juízo e obtém do Juiz de plantão, uma liminar cassando a decisão da Câmara de Vereadores, alegando inconstitucionalidade na votação que garantira a operação.

Pois, na guerra ente o mar e o rochedo, quem leva a pior são os mariscos. Marisco é a população do município que tenta entender como, em nome de uma disputa pelo poder, em uma localidade com tantas carências, tenta se barrar uma operação desse porte aparentemente para impedir que o atual prefeito colha os resultados desse investimento. O que mais impressiona, é que os mesmos vereadores hoje signatários do mandado de segurança liminarmente concedido, são os mesmos que em 2012, votaram favoráveis a projeto similar aprovado na gestão da então prefeita Fátima Nunes.

Agravante dessa situação, a então prefeita Fátima Nunes, nos últimos dias da sua administração, consumiu algo em torno de R$44 milhões na aquisição de 40 ónibus escolares e na antecipação do pagamento de um débito com o INSS que estava parcelado em cerca de 30 anos.

Eleito democraticamente pela população, o prefeito Luciano Pinheiro se vê cerceado das suas atribuições, porquê o mais poderoso chefe político da região parece se sentir dono dos destinos do município e tenta a todo custo, manter sob os seus cuidados, os recursos que pela lei, devem ser administrados pelo prefeito.

Os próximos passos dessa novela poderão ser vistos na próxima decisão da Justiça e na resposta que a população deve dar, não só agora, mas principalmente nas próximas eleições, quando o cidadão comum, passa a ser o dono da bola!

 



Autor: Celso Mathias
Publicação vista 1323 vezes


Existe 1 comentário para esta publicação
terça-feira, 2/1/2018 por Bolivar Francisco Alves
O mundo cão da política de Euclides da Cunha
Uma grande verdade O dep Zenunes está acuado perdeu as eleições de prefeito e não se conforma usa de todos os meios para atrapalhar a administração
Enviar comentário


Confira na mesma editoria:
Religião e vício; não se discute!
Religião e vício; não se discute!
A tática do “vai passar”
A tática do “vai passar”
Copyright 2014 ® Todos os Direitos Reservados.