NY; eu estive aqui

sábado, 16 de setembro de 2017

A Fifth Avenue corta a cidade ao meio, determinando os lados East e West, com exceção da Broadway (que atravessa aleatoriamente os dois lados e é mantida assim por ser uma antiga trilha indígena) e Downtown, construído antes do advento do planejamento urbano. São impressões colhidas em junho de 1971 sob um sol de 86ºF. Texto produzido em 1977.

NY; eu estive aqui


Marilyn Monroe

continua viva na memória dos americanos, mesmo entre os que nasceram após a sua morte. Ela é tema de moda e continua vendendo nas mais chiques vitrines da cidade. A Saks também é um símbolo americano, sua vitrine de natal é disputada em longas filas de pessoas que não raro passam mais de uma vez.


A 46 Street, a Little Brazil, é o capítulo brasileiro da Big Apple, ali milhares de residentes se digladiam em busca dos visitantes que possam somar algo à sua economia. Tese da americana Maxine Margolis: Os brasileiros aparecem como a única comunidade onde a disputa supera o sentido da nacionalidade ou da origem. Ao contrário de imigrantes como os coreanos, indianos ou japoneses, os brasileiros não se organizaram, não se auto protegem. Raríssimas exceções confirmam a regra. Os mais poderosos, aqueles que conseguiram conquistar uma melhor posição, tratam os demais como subgente. A maioria dos que cresceram não possui o mínimo de formação, e a luta pelo dinheiro fez com que tudo o mais que os cercam seja o “resto”. Alguns são arrogantes, prepotentes e malvestidos. Novos ricos mais intoleráveis do que os daqui.

Nas ruas a extravagância vai dos transeuntes aos “carrões”, muitos deles customizados num gosto mais do que duvidoso. O meio de transporte mais em moda é o patim in line. É rápido, o combustível barato e de quebra um excelente exercício físico. Um pouco difícil é a habilidade para guiá-lo no trânsito furioso da grande metrópole. Muitos executivos trocam os patins pelo sapato na porta dos seus escritórios. É incrível, mas é verdade.

Nova York é assim, o topo do mundo onde tudo e todos se encontram. A terra dos contrastes, do extremamente belo e do extremamente feio, a demonstração da ilimitada capacidade do homem construir. Uma cidade no céu, uma cidade embaixo do chão.

Uma cidade de muita justiça e de muita injustiça. Romântica, triste, alegre. Muitas vezes a solidão é insuportável, muitas vezes nunca se está rodeado de gente.

Ali o homem tem a exata dimensão do que é e do que pode. Cidade doce, cidade amarga. Cidade em constante transformação. Andaimes, máquinas nas ruas, recapeamento do asfalto, construção, demolição de prédios, cidade viva. Domingo, 6ª Avenida. Que imensa solidão. Cidade morta. Pôr-do-sol visto de Sutton Place. Fantástico espetáculo à beira do Hudson. Dali vejo o prédio onde mora Henry Kissinger. Cidade, louca cidade. Pontes, arranha-céus, túneis, avenidas. O seu arquiteto quer imitar Deus. Cidade, louca cidade. O rush na Grand Central Station lembra um enorme formigueiro humano. Para onde vão e de onde vêm tantas pessoas?


Cidade das filas. Nos bancos, no caixa-eletrônico. Fila para comprar, para consumir. Cidade de aventureiros, de desventurados. Cidade dos limiares, cidade de Gershwin, Rapsody in Blue... I love you, N.Y.!


Autor: Celso Mathias
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