‘Amor’ que mata - Violência entre casais - principalmente contra a mulher

domingo, 29 de abril de 2018

A Violência enquanto as pessoas estão casadas é tema, infelizmente, bastante conhecido. Ultimamente, entretanto, estudos mostram que a violência começa mesmo é no namoro. É preciso mostrar urgentemente aos adolescentes que gostar de alguém não dá direito a qualquer tipo de agressão ou constrangimento. Becky completou 17 anos, é inteligente, divertida e pretende ser profissional do humor.

‘Amor’ que mata - Violência entre casais - principalmente contra a mulher

Ao conhecer Kip, atraente, apaixonado, e preocupado com cada detalhe da sua vida, descobriu aos poucos que aquilo que parecia ser uma deliciosa paixão, transformara-se em angustia e prisão: Ele controla todos os passos da garota, interfere em seu relacionamento com amigos, persegue-a, terminando por agredi-la fisicamente. Nesse ponto, Becky toma consciência de que a paixão pode não ser exatamente aquilo que pensava. Entretanto, o caminho para se libertar de um namorado possessivo é mais complicado do que o que ela imaginava – aliás, muito parecido com o de libertar-se de um vício. A ajuda da família e dos amigos vai ser imprescindível…

Impressionada coma quantidade de casos de violência entre namorados adolescentes, a jornalista americana Janet Tashjian resolveu chamar a atenção dos seus leitores e escreveu o livro ‘Amor no fio da navalha’. O livro conta uma história que pode acontecer com milhares de adolescentes de qualquer quadrante do planeta

“Se tem ciúmes, é porque gosta de mim” A pesquisadora Carla Martins costumou-se a ouvir esse injustificável chavão. “O que acontece é que os adolescentes, embora reprovem a violência abstrata, depois encontram justificativas e desculpam a violência em situações específicas, como os ciúmes ou a infidelidade”, explica. Por violência não se entende apenas murros e pontapés. “A violência mais comum é a emocional (insultos, humilhações, ameaças, tentativas de controle) e a pequena violência física (bofetadas, empurrões)”, observa Carla.

Apesar do progresso no que diz respeito a condição feminina, as mulheres ainda são educadas para idealizar o amor. No entanto, uma das grandes diferenças entre a violência nas relações adultas e nos adolescentes é que as mais jovens também são agressivas nas suas relações amorosas. “Mas é verdade que as mulheres parecem sofrer mais a influência de um certo discurso sobre o amor e o romanceado, aquele que acredita que o ‘verdadeiro amor’ sobrevive a tudo, inclusive a agressões físicas e psicológicas. São as que acreditam que o amor é capaz de mudar tudo”, alfineta Carla.

Os grandes problemas são culturais: por exemplo, o namoro valoriza as mulheres. “Continua uma forma de afirmação social”, confirma a educadora Maria Leitão. “No curso secundário, tentamos mostrar-lhes que não precisam ter um namorado para se sentirem valorizadas. Mas é uma tarefa difícil. Elas preferem o Antes mal acompanhada do que só. Aprender a resolver um conflito de modo não-agressivo, como respeitar os direitos dos outros, como declarar uma situação que não os satisfaz, são aprendizagens que desenvolvemos com os estudantes para eles perceberem que há outras formas de nos relacionarmos que não sejam violentas. E também como forma de prevenção: para que, quando arranjem um namorado, não permitam que essas situações aconteçam. ”

Como afirma Janet Tashjian, autora de Becky: “Na nossa cultura, rapazes e moças nadam contra a fortíssima corrente da violência. As moças carregam frequentemente o fardo da raiva e da frustração dos rapazes. Ajudar ambos os lados a encontrar uma solução significa eliminar a raiz da violência na nossa sociedade. Temos muito trabalho à frente.

“Os homens também são vítimas desse tipo de ocorrência, e estas não são relações dentro das quais eles se sintam bem”, defende a professora Maria Leitão. “Socialmente, são obrigados a desempenhar um papel que não os satisfaz, mas não têm outro! Eles comportam-se da maneira que acham que lhes é exigida. Tentamos mostrar aos rapazes que, para serem homens, não precisam ser violentos. E ao recusar a violência, serão mais felizes. O problema é que mesmo algumas mulheres esperam deles a violência como afirmação. É fundamental apresentar novos modelos de masculinidade aos jovens, ou eles continuarão achando que não ser violento é ser homossexual. E no contexto de homofobia da sociedade, eles preferem tudo menos ser homossexual! ”

“Devemos, antes de mais nada, transmitir muito claramente, no nosso discurso e comportamento, que a violência é inaceitável, em qualquer circunstância e qualquer que seja a desculpa. Podemos educar os filhos para que sejam assertivos e não agressivos. Podemos enfatizar a ideia de que o respeito faz parte integrante do amor. E que o amor não implica anulação nem fusão com o outro. Os pais têm de perceber que os filhos não são deles, são do mundo”. Encerra Carla.


Autor: Celso Mathias
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