Experiências extra corpo; a ciência entra em ação!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dois estudos europeus recorreram à realidade virtual para recriar e perceber melhor as experiências fora do corpo. O fenômeno é secular, mas complexo: pessoas que, num dado momento, sentem que “abandonam” o próprio corpo, flutuam sobre ele e observam-no de fora. A experiência tem sido associada a situações onde as funções cerebrais foram danificadas, por exemplo, devido a um acidente vascular cerebral, ao consumo de drogas ou à epilepsia..

Experiências extra corpo; a ciência entra em ação!

...Os relatos mais comuns descrevem-na na sequência de acontecimentos traumáticos, como um acidente de carro, ou na mesa de operações durante uma cirurgia, mas as causas reais são ainda uma grande incógnita para a Ciência. Dois novos estudos, realizados na Inglaterra e na Suécia e publicados na “Science”, vêm agora trazer uma nova luz sobre estes estados alterados de consciência, muitas vezes situados no domínio da parapsicologia.

Ambas as equipes conseguiram recriar a sensação de estar fora do corpo em voluntários saudáveis recorrendo à realidade virtual. Para isso utilizaram óculos especiais que permitiram aos participantes ver imagens de vídeo, a três dimensões, dos seus corpos filmados por duas câmaras de vídeo apontadas às suas costas. A técnica permitiu que as pessoas tivessem uma percepção de si mesmas como se estivessem sentadas metros atrás.

Num dos estudos, Henrik Ehrsson, então investigador do University College de Londres, mas hoje no Instituto Karolinska de Estocolmo, usou um bastão de plástico para tocar no peito dos voluntários enquanto movia um outro ligeiramente abaixo das câmaras, como se estivesse a tocar no corpo virtual. Após a experiência, muitos dos participantes admitiram que, quando os movimentos eram simultâneos, tiveram a sensação de estar momentaneamente fora do seu corpo, olhando-se à distância da zona onde os seus “olhos” estavam localizados.

Noutro exercício, Ehrsson colocou sensores nos voluntários para medir a sua transpiração, um indicador da excitação emocional. Depois balançou um martelo dentro do campo de recepção das câmaras, criando a ilusão de que o peito da imagem virtual estava a ser golpeado. Apesar dos participantes terem sido previamente informados de que os seus corpos não seriam atingidos, os sensores registraram um aumento dos níveis de ansiedade, o que sugere uma identificação com a imagem virtual.

Olaf Blanke, um neurocientista da Escola Politécnica de Lausane, conduziu um estudo semelhante, com uma pequena adaptação. Após a sessão, os voluntários eram vendados e conduzidos passos atrás da posição onde se encontravam. Quando instruídos a retomar a sua posição original, mostravam-se confusos e tendiam a dirigir-se à posição da imagem virtual e não ao local onde realmente tinham estado.

Ambos os investigadores concluíram que a explicação das experiências fora do corpo pode estar num conflito dos circuitos que processam as informações sensoriais, neste caso da visão e do tato. “Esta investigação demonstra que a perspectiva visual é crucial na experiência fora do corpo. Por outras palavras, sentimos que o nosso ‘eu’ está localizado onde se encontram os olhos”, explicou Ehrsson num comunicado. “Disfunções cerebrais que interferem com a interpretação de sinais sensoriais podem ser responsáveis por alguns casos clínicos de experiências fora do corpo. Que todas resultem das mesmas causas é ainda uma incógnita”, admitiu o pesquisador.

Os resultados dos estudos podem ter implicações a vários níveis. Para além de combaterem o estigma dos pacientes que vivenciam estes fenômenos, muitas vezes associados a uma imaginação fértil ou ao domínio do paranormal, as técnicas usadas pelos pesquisadores podem, por exemplo, ser úteis para realizar cirurgias à distância. A projeção de pessoas numa personagem virtual pode ter também um impacto enorme no domínio dos videojogos, acreditam os autores.


Autor: Celso Mathias
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