Um vinho com história

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Teor alcoólico: 13.5%. Cor: Granada. Aroma: Complexo a passas de frutos e essências das madeiras de estágio, grande finura e profundidade. Vinho encorpado, rico, com certo frescor e um aveludado em harmonia com um tanino de grande qualidade que lhe confere estabilidade natural e longevidade. Estamos falando Pêra-Manca Tinto safra 1990, elaborado pelos enólogos Colaço do Rosário e Pedro Baptista com as castas Trincadeira e Aragonez, disponível em alguns importadores por meros R$ 3900,00 a garrafa, dependendo da safra!

Um vinho com história

 

Os vinhedos de Pêra-Manca pertenceram, durante os séculos XV e XVI, aos Frades do Convento de Espinheiro, em Évora. A fama destes vinhos permitiu que fizessem parte dos mantimentos de muitas naus que viajaram para a Índia, no tempo dos descobrimentos.

Teria sido o vinho que Cabral serviu aos índios quando descobriu o Brasil!

Recuperado no século XIX pela próspera Casa Soares, que o transformou num vinho sofisticado. Devido à filoxera, praga que devastou as vinhas de toda a Europa, deixou de se produzir. Foi o herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares quem, em 1987, ofereceu o nome do vinho à Fundação Eugénio de Almeida.

Significa pedra manca, ou oscilante, e é uma característica de uma formação granítica de blocos arredondados soltos sobre uma rocha firme (muita gente boa achava que era um defeito na pata do cavalo do rótulo…) -, outro tanto pela tradição, já que seria este o vinho trazido pela nau de Pedro Álvares Cabral. A verdade é que a fama do vinho se deve à soma das curiosidades anteriores aliadas a alta qualidade da bebida.

Provenientes das vinhas da Fundação Eugénio de Almeida, as castas utilizadas (alentejanas, consagradas e recomendadas para a Denominação de Origem Controlada Alentejo) nos Pêra-Manca branco e tinto conferem a estes vinhos personalidades bem marcadas e estilos muito próprios.

O Pêra-Manca tinto é sempre elaborado com duas castas, as portuguesas Trincadeira e Aragonês (lembrando, Aragonês é o mesmo que Tinta Roriz no Douro e Tempranillo, na Espanha). As vinhas, localizadas na região do Alentejo, mais precisamente em Évora, têm mais de 25 anos (a idade das vinhas é sempre mencionada, pois é um sinal de qualidade; as plantas mais velhas possuem raízes mais profundas que trazem mais nutrientes para as uvas) e só viram mosto para o Pêra-Manca em safras consideradas excepcionais pela Adega Cartuxa. A bebida estagia por 18 meses em barricas de 3.000 litros e mais um ano na garrafa antes de chegar ao mercado. O perfil comum dos vinhos é sua força, intensidade de sabores e aromas, o toque da madeira bem integrada as frutas mais para compota e a longevidade. Como bom representante do Alentejo, são vinhos quentes.

As safras que não são consideradas excepcionais são engarrafadas com o rotulo do Cartuxa (também um excelente vinho) e vendido a preços bem mais em conta do que o Pera-Manca.

A propósito, no Mercado Livre, há uma oferta de coleção com 12 safras de Pêra-Manca Tinto por apenas R$ 23.500,00. Para quem gosta e pode; boa pedida!



Autor: Celso Mathias
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