O estranho mundo de Tim

domingo, 22 de novembro de 2009

Tim Burton não costumava visitar museus, mas o MoMA dedica-lhe uma megaexposição que reúne 700 objetos, muitos deles inéditos.Uma jovem exoftálmica, um rapaz-ostra devorado pelo próprio pai, um homem com mãos de tesoura, um menino com cara de queijo brie e outro que é todo ele uma nódoa (o adorável Stain Boy), não são propriamente o tipo de criaturas que esperamos encontrar num museu, mas ocuparão, a partir de hoje, as salas do MoMA de Nova Iorque...

O estranho mundo de Tim




... numa retrospectiva dedicada a Tim Burton, um dos últimos autores do cinema americano contemporâneo. Um delicioso freakshow que desembarca na parte alta de Manhattan, a exposição é já considerada “a mais completa monográfica” alguma vez organizada pelo museu e reúne 700 objetos: pinturas, desenhos, fotografias, storyboards, marionetes, maquetes, peças de vestuário e props de filmes, a maioria inéditos ou raramente vistos (550 provêm da coleção pessoal de Burton). Paralelo à exposição, acontece um ciclo dedicado à filmografia de Burton, que inclui blockbusters como “Batman” (1989), clássicos como “Eduardo Mãos de Tesoura” (1990, para muitos o seu melhor filme), dois filmes de animação stop-motion (“O Estranho Mundo de Jack”, 1993, e “A Noiva Cadáver”, 2005) e duas pérolas: os curtas “Vincent” (1982) e “Frankenweenie” (1984).

Não é a primeira vez que o MoMA convoca para o seu núcleo uma exposição em torno da sétima arte. O pioneiro Georges Méliès, em 1939, e os estúdios da Pixar, em 2006, estiveram na origem de duas mostras. Mas desta vez os curadores do MoMA vão mais longe, comparando Burton a Andy Warhol e considerando-o “um grande artista numa variedade de suportes”, não só no cinema. Para montar a exposição, vasculharam os arquivos pessoais do cineasta, percorrendo 27 anos de carreira num diário visual inédito, onde pinturas a óleo surgem ao lado de desenhos à esferográfica.

Burton confessou-se surpreendido com o fato de ser objeto de uma exposição, e acrescentou: “Eu não cresci numa verdadeira cultura de museu”. Com efeito. Timothy William Burton (n. 1958) cresceu em Burbank, um subúrbio aborrecido da Califórnia. A placidez do lugar não foi obstáculo, mas antes estímulo, a uma imaginação fértil, onde nada existia e tudo tinha de ser inventado. Ou desenhado. Burton, que nunca parou de desenhar (mesmo quando os professores lhe diziam que chegava de rabiscos) estudou no California Institute of the Arts e iniciou a sua carreira como animador nos estúdios da Disney. Entre a luz e a sombra, o terror e o amor, bebendo do gótico e do Expressionismo alemão, Burton é o orquestrador de uma cinematografia única, onírica, visualmente poderosa, tão estranha quanto enternecedora. É na improbabilidade das personagens e histórias de Burton, na sua capacidade de conciliar o irreconciliável (a beleza e a crueldade, o macabro e a doçura, o estranho e o familiar) que reside grande parte da sua magia.

A exposição termina em 26 de Abril, já depois da estréia da esperadíssima versão de Burton do clássico “Alice no País das Maravilhas”, prevista para Março.



Autor: Adolfo de Castro
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